terça-feira, 18 de março de 2014

Ahhhh Berlim



E então no fim de semana passado eu estava em Berlim.

Não sei se pela ambience única da cidade, pela beleza estupidamente urbana, por toda a história que ela viveu....ou simplesmente porque nela eu vivi momentos muito intensos, Berlim ocupa um espaço gigante no meu coração. E sempre, sempre que eu vou pra lá (diz a pessoa que só foi três vezes), eu nunca tenho vontade de ir embora.

Eu sempre achei que Nantes fosse o grande amor da minha vida, mas olha, a disputa tá acirrada viu. Se pudesse, eu me mudava hoje mesmo (e não, não é só porque o namorado mora lá).


 A primeira vez que eu vi Berlim foi rapidinho, um fim de semana, o namorado ia se mudar e tava procurando apartamento. Enquanto ele visitava as pessoas com quem  dividira seus dois anos de intercâmbio, eu me perdia pelas ruas e nomes de estação de metrô impronunciáveis. Com guia na mão, fui andar sem grandes expectativas, conhecer um pouco essa cidade, não tava esperando grandes coisas e olha...eu me apaixonei. Pela capela do cemitério que virou sala de musica/teatro, pelo cinema/bar alternativo, pela diversidade em tudo que se via. As ruas, as cores, as pessoas...encontrar do nada um festival de cerveja com banda tocando sua música favorita, dentre tantas músicas eles tavam tocando justo aquela... Sempre tenho essa imagem de Berlim. Era verão, 2012. Em pouco tempo eu estaria de volta para o Brasil depois de dois anos morando em outro país. Deu pra imaginar a carga emocional do negocio né? Enfim, foi um fim de semana intenso.





Da segunda vez que vi Berlim, passei um mês (ou quase). Foi reencontro. Com o namorado que resolveu me esperar por sete meses. Com a cidade pra a qual eu quis voltar durante todo esse tempo. E como o dia estava bonito quando eu desci do avião ! E como a musica do carinha tocando na saída do aeroporto ficou na minha cabeça ! E como foi bom reencontrar aquele abraço ! Um dos momentos mais marcantes...e foi lá, em Berlim. A viagem, que começou com um sol lindo de primavera em março de 2013, continuou debaixo de inverno e muita neve. Muita neve. Mas neve bonita, que continua branquinha por varios dias ao inves de virar lama, e que deixa tudo mais lindo. Muitos passeios, reencontro com amigos que vieram da França, show do Mumford & Sons...enfim, foi lindo lindo.

Até Nantes reecontrei nessa viagem. Mas quando eu fui embora, sentia saudades mesmo era de Berlim. Dos passeios, do apartamento mais lindo que eu já vi na vida, do mêtro mais vintage impossível, da currywurst (ahh a currywurst !), dos prédios e mais prédios iguais com tanta gente diferente dentro, do idioma incrivel que até hoje eu tento aprender e não saio do canto. Até pensei em tentar ir pra lá, ao invéns de voltar para a França, mas escolhi o caminho mais "fácil". Seria difícil conseguir algo na Alemanha sem falar a língua, sem nunca ter estudado, enfim...(mas até hoje a idéia me volta à cabeça).


Bom, esse final de semana, exatemente um ano depois, voltei lá. Revi o apartamento mais lindo do mundo, reencontrei o namorado depois de dois meses de distáncia. E dessa vez não teve neve. Ao invés de primavera quase inverno, dessa vez era quase verão. Tinha gente lagartixando no sol, e banda tocando animadinha no parque e mercado vendendo buginganga. Berlim tava mais viva ! E olha que eu nem cheguei a ver o aeroporto desativado que foi transformado em parque pelo povo. Nem fui tomar cerveja em um dos inúmeros barzinhos na beira do rio com velinhas acesas à noite e espreguiçadeiras. Nem voltei pra ver o famoso muro e minha ponte predileta no mundo. Foram somente três dias. Mas muito bem vividos.



E mais uma vez me apaixonei por Berlim. Porém dessa vez eu não estava esperando, fui pega meio desprevinida. Quase deixo o avião com um assento vago, e fico a semana inteira. Eu gosto de Paris, acho super linda. Londres também, apesar de só ter ido uma vez. Mas nenhuma parece tão viva quanto Berlim, tão "sou desse jeito mesmo, não é pra turista ver", sem maquiagem. Tão original ! Pronto, é essa a palavra : original ! Berlim esbanja originalidade. Acho que eu aprenderia mil modos diferentes de viver se morasse por lá.



Como diria o prefeito/politico/whatever : Berlim é pobre, mas é sexy. Comparada a outras cidades turísticas, Berlim não tem tantos atrativos assim, e ainda está em processo de revitalização. Não é uma cidade pra ser vista, mas pra ser vivida. O legal é andar na rua, em qualquer rua, e descobrir a beleza da vida numa cidade que se redescobre. Agora, imagina encontrar uma cidade desse jeito, com tantas opções de lazer, em plena efevercência cultural e acima de tudo barata ? Tem com não amar ?

Bom, me falta então conhecer o outono.

Agora dá licença que eu vou ali sofrer com saudades de Berlim, jurando pra mim mesma que um dia eu ainda moro lá.

quarta-feira, 5 de março de 2014

O que fevereiro me ensinou

Que a vida fica mais fácil quando a gente se questiona menos.

Que se conhecer é um processo muito difícil, e acima de tudo muito lento.

Que se alguma coisa tiver de dar errado lá na frente, não tem problema, a gente dá um jeito e encontra uma soluçao. E que às vezes os problemas até se transformam em oportunidades. Não precisa ter medo.

Que se livrar de rótulos faz muito bem. Foda-se o que o fulano engenheiro foda faz. Tô trabalhando, tô me sustentando, moro na cidade que escolhi. Tá valendo.

Que aos 40 anos não se é velho demais para largar tudo, vir pra Nantes estudar francês e recomeçar a vida.

Que não importa o caminho que a gente siga, o mais legal é se sentir vivo, é fazer suas próprias escolhas. E mudar quando quiser.

Que a vida é muito mais divertida quando se tem companhia !

Que carnaval me faz menos falta que pão d'água.